Falta-me a inspiração dos teus ombros sobre o meu corpo, a segurança do cheiro da tua pele, a tua cara a dormir na almofada a meu lado, tranquilo e belo, como um querubim. Falta-me o teu tempo e a tua respiração. Falta-me a tua mão na minha, quando ando na rua. E o teu olhar a envolver-me como um manto e o teu coração a bater ao mesmo tempo que o meu.
Fazes-me falta, meu amor. E a falta que me fazes não se resgata nas palavras, nas esperas, na conjugação estoíca do verbo aceitar. Eu sei que tudo o que digo cai por terra , que a minha espera é inutil, que nunca saberei conjugar o verbo, que tudo muda, mas é sobretudo o que menos desejo ou mais temo.
(...)
Só é livre quem abraça o mundo sem reservas, mesmo que fique pendurado por um fio, entre a vida e a morte.
In "Pessoas Como Nós", Margarida Rebelo Pinto.
Sábado, Março 08, 2008
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